Com spoilers!!!
Se até o George Lucas (de quem não sou fã, por gosto simplesmente e nada mais) se despediu, porque EU não faria o mesmo?
Quis fazer esse post ANTES da série terminar. A ideia é dizer tudo antes para que as palavras sejam independentes do que acontecerá no episódio final.
Estou feliz e triste ao mesmo tempo. Triste pois a série vai acabar, e talvez a obsessão também.
O fato é que eu não quero que ela acabe, apenas que adormeça num cantinho de fácil acesso do meu HD mental. Sempre haverá o que discutir, algo a se debater. Esse é o lado maravilhoso de não dar todas as respostas. O que vale é especular. Estou feliz pois acho que a história precisa de e merece um fim. Isso evita que ela se desgaste e é a garantia de um bom produto, fechado e que não se arrastará por anos ou até gerações. Confesso que ansiava e anseio pelo fim. Confesso que outras séries têm começado a ocupar um espaço maior no supracitado HD. Fringe, de J.J. Abrams, é uma delas (e será coincidência)? Descanso para o programa, para os atores e principalmente para essa cabecinha que vos escreve. Lost consome demais meu processamento. São horas e horas de CPU. É como um robô do Google buscando informações 24h por dia; mas é um vício bom. Quem me conhece sabe o que eu penso e sinto em relação a esse assunto.
Eu costumo dizer que Lost é religião e algumas pessoas riem. Outras simplesmente não entendem e eu, cansado, sinceramente desisti de explicar por livre e espontânea vontade. Se quiser conversar eu topo, mas não vou mais tentar te convencer. Isso não vai provar nada. A "religião" tem sim muito de entrar na história, de acreditar no mito e nas coisas da série. De estar lá dentro o tempo todo, 365 dias por ano, 24h por dia. Não só durante 42 minutos por semana (e aí temos, coincidentemente, mais um número maldito). De acreditar que um paraplégico pode voltar a andar, que um câncer pode ser curado, que um golpista pode se redimir e que nem sempre muito dinheiro é sinônimo de felicidade.
Os produtores sempre disseram que o nome Lost tem a ver com o fato de os personagens estarem perdidos, não numa ilha, mas dentro de si mesmos. A "crença" em Lost, pelo menos para mim, tem a ver com a forma maravilhosa com que são apresentados a superação dos personagens, seus encontros e desencontros. Não posso negar que viagens no tempo, universos paralelos, eletromagnetismos e afins também têm o seu charme.
O que também me atrai na série é o seu PODER, a dimensão que ela tomou. Por isso eu também digo que o programa é um EXPERIÊNCIA. Gostar de Lost é não ser passivo. É ter a liberdade de saber que você pode se aprofundar o quanto quiser. Quer simplesmente passar o tempo? Está valendo. Quer se aprofundar e desvendar as milhares de referências a cultura pop, música, religião, literatura e cinema? Você também pode fazer isso. Ouvi há um tempo que Lost é em camadas, e é mesmo. Lost é multidisciplinar.
Nunca antes tivemos uma experiência nascida na TV tão abrangente assim. Internet, livros, videogame e até entrevistas com "personagens" da série em talk show. Que fique claro que a série talvez tenha sido a primeira a ser devorada em escala global horas depois de sua exibição.
Lembro que o ARG Lost Experience foi um frenesi. Caçando links, senhas, imagens escondidas e referências. Quantas madrugadas adentro procurando na Internet indícios e pistas que pudessem elucidar o que é essa tal ilha. O que são esses números?
Até do Sri Lanka falamos. Equação de Valenzetti, vacina, doença, monstro de fumaça, templo, gravidez. Anagramas. Estações Dharma espalhadas na ilha. Escotilha. Bússola. Fé x Ciência, Bem x Mal, Destino x Livre Arbítrio. Coração da ilha. Estátua de Taweret.
Estátuas da Virgem Maria. Dependência de heroína. Barco no meio da ilha. Mortos que andam. Constantes. Amor x Ódio. 108 graus. Bomba de Hidrogênio. Traição, redenção. Namastê. Tem até referência a Alice no País das Maravilhas.O livro Bad Twin foi lançado no mundo real (em nosso mundo). Curiosamente ele foi escrito por um dos passageiros do voo Oceanic 815 (que morreu sugado pela turbina) e trazia informações sobre a família Widmore e a obscura Hanso Foundation.
O videogame terminou de uma forma curiosa, semelhante a minha teoria.
Houve outro ARG, que revelou onde o avião tinha caído.
Contudo, talvez o mais importante de tudo isso seja o exemplo que Lost nos deu. Um exemplo de trabalho bem feito, bem escrito, bem amarrado, coeso e denso. Um exemplo de como se fazer mistério. Em meio a tantos filmes vazando (vide o caso Tropa de Elite), e até mesmo algumas call sheets do próprio programa nas mãos dos fãs, Lost conseguiu sempre deixar todos em dúvida sobre o que estava acontecendo. E pasmem: estamos a duas horas do final e ninguém tem a resposta ainda.
Lost cumpriu seu papel: do início ao fim se manteve incólume em seus segredos e foi combustível paras intermináveis e saudáveis inconclusivas discussões. Sempre foi impossível afirmar qualquer coisa. Lost mostra que a jornada é que importa, e não o destino. Lost soube manter acesa a chama da surpresa, provando que é vital e divertidíssimo ser surpreendido.
Se você não acompanhou a série, o meu sinto muito, muito muito mesmo. Lost agora pertence aqueles "poucos" que souberam aproveitar e surfar nessa onda. Como nos Bit Torrents da vida, Lost foi sobre compartilhar. O programa, é claro, ainda é e sempre será muito bom, mas perde-se um pouco da magia de perguntar "Você já viu o último??". E a fissura de fugir de spoilers? "Não vi! Não vi! Não me conta!".
Obrigado a Sra. Confitê, Srta. Peçonha, Falcon, Vlad, Dani, Thamara, Mrosa, Carlton Cuse, Damon Lindelof e Carlos Alexandre Monteiro (pelas constantes atualizações do Lostinlost e principalmente pelo podcast). J.J. Abrams: continuamos nos vendo em Fringe.
Foi uma viagem inesquecível. Namastê!
Ps.: no, the Island isn't done with me yet...

4 Comentários:
Eu é que agradeço, Confitê. Obrigado pela companhia na jornada. ;)
Namastê!
Como já te disse, acho que faltaram explicar algumas coisinhas, mas tenho certeza que o final será surpreendente e que iremos ficar boquiabertos.
Se hoje sou uma Lost maníaca, foi porque alguém me apresentou a série.
Foi bom ficar tentando descobrir quais as mensagens subliminares que estavam nas cenas! Foi legal discutir o que poderia estar acontecendo. Pena que está acabando, mas acho que ainda vamos ter muito que discutir.
Valeu!
Let it go Confitê!! Let it go!! Também agradecemos a companhia durante todo esse tempo. Além de todas as lembranças, ainda temos as camisas :-) Abraços e beijos, Falcon e Srta. Peçonha
Obrigado a todos os comentários!!
Lost foi algo que veio e marcou. E sabemos que só entende mesmo quem curtiu durante esses 6 anos.
Beijos e abraços!
Postar um comentário